Em terreno selvagem

O post a seguir é o discurso do ator Steven Seagal que está contido no final do filme “Em terreno selvagem“, vale a pena ver o filme e prestar atenção nas imagens enquanto a cena do discurso final ocorre, mas mesmo sem ver o filme o texto é ótimo, então, Boa Leitura!

EM TERRENO SELVAGEM

Pediram-me que falasse a vocês sobre a injustiça que tem sido cometida contra nós por alguns agentes do governo e grandes corporações.

Quantos de vocês já ouviram falar de motores alternativos motores que funcionam com qualquer coisa, de álcool, a lixo ou água. Ou carburadores que fazem dezenas de quilómetros com um litro. Ou de motores elétricos ou magnéticos que podem praticamente rodar para sempre. Não os conhecem porque se fossem usados levariam as companhias de petróleo à falência.

O conceito de motor de combustão interna já está obsoleto a mais de cinqüenta anos, mas por causa do Cartel do petróleo e de governos corruptos, nós e o resto do mundo fomos forçados a usar gasolina por mais de cem anos.

As grandes companhias são preliminarmente responsáveis por envenenar a água que bebemos, o ar que respiramos, a comida que comemos. Eles não se importam com o mundo que destróem, só pelo dinheiro que ganham no processo. Quantos vazamentos mais podemos suportar, milhões e milhões de barris de petróleo estão agora destruindo o oceano e as muitas formas de vida que ele sustenta, entre elas está o plâncton, que supre de sessenta a noventa por cento do oxigênio da terra e sustenta todo o ecossistema marinho que forma a base do suprimento de comida do planeta. Mas o plâncton está morrendo, então pensei: “Bem, vamos para um estado remoto, ou outro país qualquer da terra” mas fazendo uma pesquisa, percebi que essas pessoas mandaram resíduos tóxicos para o mundo todo. Eles basicamente controlam a legislação, e de fato controlam a lei, a lei diz: “Nenhuma Cia pode ser multada em mais de 25000 dólares por dia.” Se a Cia ganha 10 milhões de dólares por dia por despejar resíduos tóxicos letais no oceano, é apenas um bom negócio e vão continuar fazendo isso. Eles influenciam a mídia, então podem controlar nossas mentes, eles disseram que é crime nós termos voz própria, e se tivermos somos chamados de loucos, conspiradores, e riem de nós.

Estamos zangados porque estamos sendo química e geneticamente mutilados e nem percebemos isso, infelizmente isso vai afetar nossos filhos.

Vamos trabalhar todos os dias e bem debaixo dos nossos narizes vemos nosso carro e o carro da frente expelindo gases nocivos e venenosos que são venenos cumulativos, esses venenos vão nos matar lentamente, mesmo quando  não vemos o seu efeito.

Quantos de nós teriam acreditado se nos dissessem à vinte anos, que um certo dia não conseguiríamos ver 100 metros à nossa frente, que não seríamos capazes de respirar fundo porque o ar seria uma massa de gases venenosos, que não seríamos capazes de beber em nossas torneiras que teria que se comprar água em garrafas. Os direitos mais comuns que Deus nos deu foram tirados de nós. Infelizmente a realidade de  nossas vidas é tão terrível que ninguém quer ouvir sobre isso. 

Me perguntaram o que podemos fazer, eu acho que precisamos de um corpo de pessoas responsáveis, que possa realmente nos representar, em vez das grandes Companhias, esse corpo de pessoas não deve permitir a introdução de nada  em nosso meio ambiente que não seja absolutamente biodegradável ou capaz de ser quimicamente neutralizado na produção.

Finalmente enquanto houver um lucro a ser conseguido poluindo nossa terra,  empresas e indivíduos vão continuar a fazer o que eles querem, temos que forçar essas empresas a operar com segurança e responsabilidade, com nossos melhores interesses em mente, para que quando não o fizerem, possamos Ter de volta nossos recursos para fazermos o que é certo em nossos corações e nossas mentes.

Caça às Bruxas

Caça às Bruxas

Foi durante o século 12, porém, que se difundiu mais rapidamente a idéia do sabá, reunião noturna das sextas-feiras, à qual as bruxas compare-ciam voando em suas vassouras, cavalgando seus bodes, ou mesmo transformadas sob a forma de pássaros. Para que pudessem voar, as feiticeiras untavam o corpo com uma poção mágica por elas preparada; e na cerimônia, iniciada à meia-noite, entregavam-se a orgias e ao Demônio.

Somente em 1250 é que alguns bispos entregaram ao dominicano Étienne de Bourbon a primeira descrição do sabá. Oito anos depois iniciam-se os processos por feitiçaria, e só no ano de 1275, após várias condenações, uma primeira acusada é morta na fogueira. O próprio São Tomás de Aquino (1225-1274), expoente da escolástica, declarou ser possível a união carnal com Satanás. “Tudo o que acontece por via natural, o diabo pode imitar!”, afirmou.

Em 1318, o bispo de Cahors foi condenado à fogueira sob acusação de haver tramado magicamente contra o papa João XXII, por encantamento com boneco de cera, do qual a história tem relatos semelhantes desde 2500 a.C. O poeta Virgílio (70-19 a.C.) também fez referência à mesma prática. Em 1398 foi a vez da Universidade de Paris reforçar a tese da união sexual entre as bruxas e o Demônio, e em 1424 o monge Bernardino de Siena (1380-1444) pregou contra as artes mágicas em Roma. Em 1465, foi condenado à fogueira o prior da Ordem dos Servitas, dono de um bordel, acusado de oferecer súcubos (demô-nios sob a forma feminina) aos que visitavam sua casa de prazeres.

Até esse momento, no entanto, os processos só eventualmente levavam à pena capital. Embora houvesse campanhas da Igreja contra hereges e pagãos, nenhuma caça sistematizada às bruxas existia. Tanto é que, em 1474, os carmelitas, de seu púlpito, arriscavam-se a prever o futuro durante as missas, e o diziam fazer com auxílio dos demô- nios. Só com a reiterada insistência de dominicanos alemães é que o papa Inocêncio VIII, em 5 de dezembro de 1484, publicou a bula Summis Desiderantes Affectibus (“Desejando com Suma Ansiedade”), que espalharia o terror pelo continente:

“…tem chegado recentemente a nossos ouvidos que, em certas regiões da Alemanha setentrional [...] nas dioceses de Mainz, Colônia, Trier, Salzburgo e Brêmen, muitas pessoas de ambos os sexos, esquecendo-se de sua própria salvação e apartando-se da fé católica, têm mantido relações com os demônios [...] por meio de encantamentos, feitiços, conjuros e outras superstições malditas…”

“O ‘Malleus’, código atroz contra as artes negras de magia, abriu as portas para o rolo compressor da santa histeria em que se transformou a Inquisição.”

Confirmada pelo imperador Maximiliano I, o papa designou para executar a bula, a começar pelo país reclamante, os monges Heinrich Institor e Jacob Sprengher. Este último, deão da Universidade de Colônia, publicaria dali a dois anos, com Heinrich Kramer, prior de Salzburgo, a mais importante obra sobre demonologia da história, o temível Malleus Malleficarum (“O Martelo das Bruxas”), fonte de inspiração para todos os tratados posteriores.

O “Malleus”, código atroz contra as artes negras de magia, mais do que a bula papal, peremptoriamente abriu as portas para o rolo compressor da santa histeria em que se transformou a Inquisição. Sua intenção era pôr em prática a ordem do Êxodo, 22;17: “A feiticeira, não a deixarás com vida.”

O Martelo das Bruxas dividia-se em três partes. A primeira ensinava aos juízes a reconhecer as bruxas em seus múltiplos disfarces e atitudes. A segunda expunha todos os tipos de malefí-cios, classificando-os e explicando-os. A terceira regrava as formalidades para agir “legalmente” contra as bruxas, demonstrando como inquiri-las para sempre condená-las.

O processo era cruel. Levava-se ao tribunal qualquer um que fosse suspeito de feitiçaria. Bastavam três testemunhas para que juntas servissem como “prova” dos autos. Os filhos podiam entregar seus pais; os cônjuges podiam delatar-se mutuamente. Por meio de tortura obtinham-se as confissões. Os réus eram ainda submetidos às provas ordálicas; nestas, qualquer mancha escura na pele do acusado serviria como prova do pacto com o Demônio. A insensibilidade à dor em qualquer parte do corpo também era indício de feitiçaria; ademais, os suspeitos eram amarrados em cruz sobre madeiras e atirados em algum rio. Se o acusado não afundasse, estava aí a prova de que o Diabo o protegia, razão pela qual era entregue à fogueira; caso se afogasse, estaria antecipada a justiça divina.

Extraíam-se assim as mais absurdas confissões, incluindo transformações dos envolvidos em cisnes negros, gatos ou lobos; também suas sevícias trocadas com Satanás.

Retirado do site Planeta na Web

 

Por que não você?

Antes de falar, escute.

Antes de escrever, pense.

Antes de gastar, ganhe.

Antes de julgar, espere.

Antes de rezar, perdoe.

Antes de desistir, tente.

Enquanto navega pela vida, não evite tempestades e águas bravias.

Apenas deixe-as passar.

Apenas navegue.

Quando cometer um erro, não olhe para trás por muito tempo.

Analise as coisas e então olhe para diante.

Erros são lições de sabedoria.

O passado não pode ser mudado.

O futuro ainda está em seu poder.

Sempre se lembre:

Mares calmos não fazem bons marinheiros.

O mais importante em qualquer jogo não é vencer, mas participar.

Da mesma forma, o mais importante na vida não é o triunfo, mas o empenho.

O essencial não é ter vencido, mas ter lutado bem.

As pessoas esquecerão o que você disse.

As pessoas esquecerão o que você fez.

Mas elas nunca esquecerão…

Como você as fez sentir.

A partir de hoje, trate a todos que encontrar como se fossem estar mortos à meia-noite.

Ofereça a eles toda atenção, gentileza e compreensão de que você for capaz, e faça isso sem pensar em qualquer retribuição.

Sua vida nunca mais será a mesma novamente.

Hoje é um novo dia!

Muitos vão aproveitar este dia.

Muitos viverão completamente.

Por que não você?

(D. A.)

A Caça às Feiticeiras

FEITIÇARIA E SUPERSTIÇÕES

Em 1609, mais de 300 pessoas foram torturadas e executadas no “templo do terror”, em Bamberg, Alemanha

A CAÇA AS FEITICEIRAS

Era o tempo da grande caça às feiticeiras. Na Europa, dominava a crença de que era obrigação dos cristãos resgatar hereges e pagãos do hediondo destino que os esperava depois da morte.

Muito antes, Santo Agostinho expressava sua convicção de que “não apenas cada pagão, mas cada judeu, herege e cismático, irá para o fogo eterno, a não ser que, antes do fim de sua vida, se reconcilie e se encaminhe para a Igreja Católica”.

A conseqüência dessa atitude foi a imposição de verdadeiro inferno na terra, para milhares de criaturas humanas, com o objetivo de salvá-las do terror do inferno, na vida futura.

Os horrores da perseguição provavelmente foram piores na Alemanha do que em qualquer outra parte da Europa. Os julgamentos de feiticeiras começaram ali em meados do século 15, mas o ápice foi depois de 1570, na época da Contra-Reforma, quando a Igreja Católica Romana começou a impor o recuo ao crescimento do protestantismo e a toda forma de heresia, incluindo a feitiçaria, que se tornou, então, alvo de ataques brutais.

Entre 1609 e 1622, mais de 300 pessoas foram executadas sob a acusação de feitiçaria, somente no estado de Bamberg. O acusado era torturado sem preocupação de sexo ou idade.

Em 1614 uma mulher de 74 anos atravessou, antes de morrer, os tormentos da tortura até o “terceiro grau”.

 

O fanático bispo von Dornheim

De 1623 a 1632, o estado de Bamberg – mais tarde descrito como o “templo do terror” – foi governado pelo fanático príncipe-bispo Gottfried von Dornheim. Conhecido como o “bispo feiticeiro”, ele estabeleceu uma organização de caça a feiticeiras extremamente eficiente, sob o comando do bispo assistente Friedrich Förner, assessorado por um conselho de advogados. Prisões especiais foram erguidas, ficando famosa a chamada Hexenhaus, ou a “Casa das feiticeiras”. No mínimo 600 pessoas foram queimadas nessa década, sob a acusação de feitiçaria.

Era considerado essencial que o acusado confessasse a prática de feitiçaria e, nesse sentido, nenhum esforço era poupado. Os meios empregados incluíam: tostar a vítima numa caldeira de ferro incandescente, beliscar-lhes a pele com pinças quentes, esmagar suas pernas, deslocar as clavículas e esmagar os dedos.

Era extremamente perigoso expressar qualquer dúvida quanto à culpa dos acusados ou à ação da corte e os métodos usados, para obter a confissão. As autoridades estavam determinadas a não deixar que o acusado, um vez preso, escapasse à sua sorte.

Isso foi provado pelo próprio vice-chanceler de Bamberg, Dr. Ham, que tinha mostrado sinais de liberalidade para com os acusados: ele próprio foi acusado de feitiçaria, admitiu sua culpa sob torturas e denunciou outro cinco burgo-mestres do estado. Isso não o salvou: em 1628, o Dr. Ham, sua esposa e sua filha foram queimados, sob a acusação de serem uma súcia de feiticeiros.

 

A indústria do terror

A caça às feiticeiras, em Bamberg, envolvia uma indústria inteira, que ia desde os juízes até os fornecedores de lenha para queimar os acusados. Todas as despesas eram pagas com o patrimônio do próprio acusado. Se alguém demorasse em confessar, os métodos de tortura atingiam requintes de perversidade: penas em chamas, com ácido sulfúrico, passadas pelas axilas ou pelos órgãos genitais, ou ainda banhos com água fervente, na qual o ácido era adicionado.

Muitas vezes a riqueza do acusado é que provocava a denúncia, prisão, tortura e execução do mesmo. Por isso, a traição entre amigos era coisa comum.

Tudo terminou quando refugiados foram relatar ao imperador os detalhes do simulacro da justiça em Bamberg: leis mais amenas foram baixadas, dando oportunidade de defesa ao acusado. Mas isso não era obra apenas da Conra-reforma: o luterano Benedict Carpzov admitiu ter determinado a execução de, pelo menos, 20 mil pessoas, na Saxônia. Com o gradual declínio da crença na existência do diabo, o medo às feiticeiras abrandou. E, com isso, não houve mais necessidade de mandar queimar, para salvar a alma do acusado.

Em 1630 morreu o bispo Förner e, dois anos depois, foi seguido por seu mestre, o príncipe-bispo Dornheim. Também, a invasão da Alemanha por Gustavo Adolfo, da Suécia, contribuiu para alterar a situação: o réu sueco era protestante. Foi necessária a presença de um herege em solo católico para que cessassem as atrocidades que estavam sendo cometidas em nome da religião. Só assim, colocou-se um ponto final em uma das mais negras páginas da intolerância e da ignorância humana.

Retirado da revista: Homem, Mito e Magia. Vol. I nº VI Pág. 118 a 119. Editora 3. São Paulo. 1973

 

Os Poderes do Morcego

A MAGIA DA NATUREZA

Pássaro e demônio, amigo e feiticeiro, fantasma e deus tribal, ele é apenas um mamífero alado.

OS PODERES DO MORCEGO

O Morcego é um animal com asas de aspecto de couro e de aparência hedionda, uma criatura das sombras infernais. Uma espécie – o morcego-vampiro – é notório sugador de sangue. As  características físicas do morcego e sua habilidade aparentemente sobrenatural de perseguir suas vítimas na escuridão completa são largamente responsáveis pela reputação aterradora, que adquiriu através dos séculos, como uma criatura de poderes ocultos.

O Morcego assumiu algumas qualidades de dois símbolos: o pássaro (símbolo da alma), e o demônio (criatura das sombras) e tem sido representado no folclore como feiticeiro e amigo, como fantasma e diabo, e ocasionalmente, como deus tribal.

Os chineses, preferindo uma posição mais amena em relação ao morcego, afirmam que ele voa com a cabeça baixa por causa do peso de seu cérebro.Êsopo descreve o vôo noturno como tentativa de fugir  de seus credores. Mas na maior parte do mundo, o morcego é tido como uma criatura horrível , misterioso ente da noite, símbolo da morte para os irlandeses, fantasma para os índios da Colúmbia Britânica e a corporificação dos mortos para os negros da Costa do Marfim.

Uma criatura da escuridão, o morcego há muito vem sendo associado ao diabo, numa forma de horror que é difícil afastar, mesmo entre os civilizados.

Na Europa, Ásia e América, o aparecimento repentino de um morcego numa casa é predição da morte de um de seus ocupantes. Na China, contudo, o morcego simboliza uma vida longa e cheia de êxitos.

Na Idade Média, era indiscutível a crença de que o diabo constantemente assumia a forma de um morcego e, por causa disso, ainda hoje, os camponeses da Sicília queima os morcegos vivos ou os pregam de asas esticadas, em suas portas.

 

Espírito maligno em nosso corpo

Espíritos malignos em forma de morcegos, segundo se acreditava, podiam entrar em nosso corpo: e só era possível expulsá-los com a ação de exorcistas consagrados. Os curandeiros-feiticeiros da Nigéria, que são grandes cultores dessa arte, habilmente retiram morcegos e sapos pela boca do paciente, por acaso atacado por esses males. Entre os negros dos Estados Sulinos dos Estados Unidos, maus espíritos são arrancados do corpo humano e injetados no corpo de morcegos, que fogem para o vale das sombras com sua carga macabra.

Na obra Remaines of Denis Granville, há uma anedota que descreve o seguinte: um cirurgião, um assistente e um padre atendem a um paciente, profundamente atacado de melancolia. Enquanto o padre reza, o cirurgião faz uma pequena incisão no lado do paciente e, ao mesmo tempo o assistente liberta o morcego que havia trazido numa caixa escondida. O paciente acredita que o mau espírito foi arrancado de seu corpo e sara. No Brasil essa anedota tem uma continuação: “meses mais tarde o cirurgião explica ao paciente que tudo fora uma encenação, porque notaram que o seu mal era psíquico e não físico”. Aí o paciente começa a ficar de novo doente, dizendo: “Por isso é que eu ainda sinto o morcego voar dentro de mim”.

La Voisin, a feiticeira e aborticionista do século 17 na França, usava sangue de morcego para suas missas negras. Uma coisa hedionda encontrada as vezes em rituais dessa natureza era um morcego que havia sido afogado em sangue, recurso usado para libertar energia psíquica. E o sangue de morcego era constantemente mencionado como elemento decisivo para o vôo das feiticeiras (uma espécie de gasolina enfeitiçada) que lhes dava a habilidade do animal para suas revoadas das trevas.

Por causa de sua condição de detentor de poderes mágicos, o morcego foi tido, por muito tempo, como um amuleto protetor contra a malignidade do diabo, e como um elemento para atrair a sorte. Em certas partes da Alemanha, acreditava-se que o coração de um morcego, atado ao braço com um cordão vermelho, traria ao portador, sorte nos jogos de cartas. No Tirol austríaco, o feliz dono de um olho esquerdo de morcego podia tornar-se invisível aos outros no momento em que quisesse.

 

Algumas gotas de sangue mágico

O morcego tornou-se não apenas o animal encantado dos homens de uma tribo de Nova Gales do Sul, como seu símbolo sexual.

A mesma associação de crenças levou donzelas da Europa Central a conseguir a conquista dos namorados, usando algumas gotas de sangue de morcego em seu copo de cerveja.

O morcego foi, muitas vezes, adorado como entidade divina: era o deus supremo de índios americanos da costa do Pacífico. Eles o chamavam de Chamalkan. O poderoso deus-morcego de Samoa invariavelmente liderava o grupo, quando se marchava para a guerra. Na Europa, de acordo com uma velha lenda, o morcego entrou na guerra entre animais e pássaros, mas em dúvida quanto ao lado que seria de fato seu, lutou por ambas as partes.

Nas lendas de muitos índios americanos da região Norte do país, o morcego aparece na surpreendente situação de herói galante, defensor desprendido da humanidade em crise. A mais alegre e positivamente mais virtuosa versão dessa crença está sem dúvida, na moderna figura dos heróis americanos das estórias em quadrinhos, o Batman.

 

Radar e diabo lado a lado

Na Inglaterra entre os camponeses, era crença que o morcego furtava filé das casas entrando pela chaminé. Por isso uma canção popular dizia: “Vem morcego da chaminé, que lhe dou um pedaço de filé”

Ainda na atualidade, o sangue de morcego é usado na magia negra, especialmente quando se deseja ferir inimigos. Apesar da ciência saber o que faz o animal voar às cegas, no escuro, sem bater em nada, continua a idéia do diabo sempre associada à do morcego. Ele voa na escuridão, com movimentos certeiros, porque é capaz de sentir obstáculos, da mesma forma que o radar.

Os caboclos brasileiros sabem como pegar morcegos: fincam uma fina vara de bambu no chão e agitam freneticamente. A parte de cima da vara produz ruídos muito agudos, alguns dos quais inaudíveis ao ouvido  humano. O morcego recebe os sinais e voa  na direção da vara, bate e geralmente morre.

Além da aversão natural que o animal provoca, as mulheres tem outra razão para impedir que o morcego se aproxime de seus cabelos: pode enrolar-se neles e somente será dali tirado com o uso de uma tesoura, manipulada por um homem. Também aí nessa superstição há implicações sexuais, eróticas, pela associação homem-mulher.

Em muitos lugares, no entanto, o morcego pode indicar acontecimentos bons: Na Inglaterra, em certas áreas agrícolas, o vôo do morcego ao entardecer, é sinal de tempo bom pela frente.

Retirado da revista: Homem, Mito e Magia. Vol. I nº VI Pág. 124 a 126. Editora 3. São Paulo. 1973

 

Palavras de um xamã

Palavras de um xamã

Cordiais agradecimentos a minha amiga Si-Raven do blog Mensagens do Corvo

“Na minha tradição, a gente costuma dizer que a tristeza é a perda do poder pessoal. Esse poder é interno, é o poder do ser, da alma. Infelizmente, o homem passou a acreditar que tudo que ele precisa só pode ser encontrado no outro ou no mundo externo.

É como se a afirmação da vida dependesse única e exclusivamente da atenção do outro, de uma situação política, histórica ou de um bom posicionamento social e profissional. Ele está totalmente voltado para fora, buscando de uma forma insana a sua felicidade. É preciso inverter esse

movimento, retornando à imensa força que está esquecida dentro de nós.

A causa verdadeira das grandes tristezas está na alma, no ser interno. E onde que esse ser interno encontra vida, beleza e força? Ele basicamente necessita perceber que ele próprio é muito maior que o seu momento, ele é parte de um grande complexo chamado vida e esse grande complexo se nutre de coisas essenciais e simples como uma respiração saudável, um nascer e um pôr-do-sol, uma noite enluarada, estrelada, essa imensidão que se encontra dentro de nós. E esse alimento leva para o homem ingredientes que vão determinar uma maior ou menor qualidade dos seus pensamentos, emoções e ações. Temos que ser responsáveis por tudo isso.

A meta de todo ser humano deveria ser a conquista de um pensamento lúcido, emoções equilibradas e uma ação justa: esse é um homem feliz. Esse é o princípio da espiritualidade, o seu eixo. E com esse eixo você combate a tristeza e as dificuldades com tranqüilidade e vai superá-las, transformando a si próprio. Na verdade, o poder de cura está dentro de cada um. Nós somos, ao mesmo tempo, o veneno e o antídoto. Nós, pajés, não somos a cura. Somos um veículo capacitado para restituir ao doente a sua própria força de cura.” Kaká Werá

“A grande doença da atualidade é a doença da alma. O ser humano esqueceu da sua alma, está adormecido e conseqüentemente se fechou para as forças da natureza, porque alma e natureza caminham estritamente juntas, são mãe e filha. Todo o desequilíbrio que nós temos hoje manifestado está nesse eixo, e é por isso que a grande questão do século XXI é a questão ecológica-espiritual. Uma não pode ser trabalhada sem a outra.

Uma doença é uma poluição interna, uma poluição do seu ar. Logo, do seu pensamento; Ou uma poluição das suas águas. Logo, de suas emoções. Ou uma poluição do seu fogo, que é a sua vontade interna, seu eu. E finalmente, é uma poluição da sua terra, que é seu corpo físico.

É nesse sentido que a questão da cultura indígena surge nestes tempos para ser percebida de uma outra maneira, inédita, com toda a força da base espiritual que ela pode fornecer, para que finalmente possamos fundar uma nação. (…) Uma nação se funda a partir de raízes, e as nossas mais profundas raízes passam por essa rica tradição espiritual do povo indígena.” Pajé Kaká Werá.

A Evidência da Tradição Popular

Excelente texto sobre a Tradição Popular, copiado com permissão do maravilhoso blog “Saindo da Bruma” de Renata Gueiros a quem agradeço a permissão para repostar aqui o texto que ela traduziu. Boa leitura!

ALEXEI KONDRATIEV’S LOREKEEPERS COURSE 1.0 
Faixa Três – Seção Cinco – A 

Quando, por um período que se estendeu dos séculos 4º ao 7º, as comunidades célticas adotaram o cristianismo como sua religião oficial, claro que muitos aspectos de suas práticas religiosas mudaram radicalmente, mas outros não. As áreas da religião que tinham relação a temas “políticos” — por exemplo, o culto de divindades que protegiam a nação e seus líderes aristocráticos — passaram quase completamente para o controle cristão: templos pré-cristãos foram substituídos por igrejas, roteiros de rituais nativos foram substituídos pela liturgia cristã, as divindades invocadas foram substituídas por figuras bíblicas e santos. Contudo, na área da prática religiosa que se referia ao ciclo agrícola, à contínua relação entre humanos e a terra na qual viviam o cristianismo não teve muito a contribuir, e as práticas nativas continuaram sob um fino verniz de imagens cristãs. Tais práticas sobreviveram para o período moderno: enquanto elas certamente mudaram desde os tempos pré-cristãos, tendo se adaptado para a evolução de circunstâncias e emprestado elementos de muitas outras tradições, elas podem ainda nos dar alguma informação preciosa sobre a crença e ritual pré-cristãos — especialmente uma vez que a terceira função, o aspecto da religião baseado na terra não é tão bem documentado a partir de fontes históricas e arqueológicas. 

O Ciclo da Terra 

Na Seção Um apresentamos os grandes festivais dos quartos (_cethardae_) que são as datas mais importantes do calendário ritual céltico. A estrutura básica do ano ritual já deve, portanto, ser familiar para você. Rituais específicos variam um pouco de um lugar para o outro, mas eles possuem características em comum. Entre os padrões salientes estão: 

– Um período de descanso, geralmente começando em Novembro, quando o trabalho agrícola é um tabu. Este é um período consagrado aos ancestrais, quando os mortos são especificamente honrados, mas também quando as tradições da comunidade — tanto históricas quanto mitológicas — são re-processadas, com frequência através da contação de histórias em um contexto ritual. 

– A chegada da primavera (ao longo de um período que cobre Fevereiro e Março) é celebrada com uma variedade de símbolos solares, os quais visam despertar e acelerar o poder de crescimento na terra. Isso frequentemente envolve uma ligação direta entre alimentos e o poder do sol: bannocks ou panquecas amarelas de formato circular — alusões ao sol, mas feitos de produtos de grãos — aparecem no ritual quando são movidos no sentido do sol, sugerindo crescimento da comida mesmo quando o sol torna-se mais forte com o prolongamento dos dias. Rituais similares envolvem produtos do leite, de forma que as duas fontes principais da nutrição para a comunidade estão representadas na magia da fertilidade. As ferramentas usadas para o trabalho agrícola são reconsagradas neste momento, frequentemente com um foco especial no fogo da lareira ou fogo da forja. 

– Quando as colheitas em crescimento começam a aparecer sobre a superfície do chão, um ritual do período do verão (estendendo-se do início de Maio ao longo do meio do verão) concentra-se na imagística sexual, procriativa (especialmente flores). O fogo também é enfatizado como o agente acelerador: ferretes dos fogos rituais são trazidos aos campos, ou as cinzas são espalhadas sobre as colheitas. 

– Quando as culturas estão maduras, a Colheita começa. Este é um período de intensa ansiedade, visto que a retirada das colheitas do corpo da Terra é percebida como um tipo de violação, que requer um protocolo ritual elaborado e cuidadoso de negociação a fim de evadir a retaliação pelos espíritos da Terra. Em particular, é tomado um cuidado especial com a forma como ambos o primeiro e últimos frutos da colheita são tratados: as pessoas envolvidas são frequentemente dadas um status quase sacerdotal para duração do ciclo do ritual. Imagens de água são predominantes nessa estação, como o poder elemental das águas esfria a terra e põe um fim ao crescimento das colheitas, enquanto cria um ambiente nutritivo para as sementes do próximo ano. A continuidade entre as colheitas deste ano e as sementes do ano seguinte é frequentemente sublinhada no ritual sazonal. 

Contação de Histórias 

Muitos dos rituais sazonais estão explicados por histórias mitológicas. Como notado acima, a estação do inverno é tradicionalmente (apesar de não exclusivamente) reservada para a contação de tais histórias, que nas comunidades gaélicas é a preservação do _seanchai_ (Gaélico Escocês _seanchaidh_). O _seanchai_ (“orador da sabedoria antiga [_seanchas_]‘) não é apenas um contador de histórias mas um mestre do saber geral que mantém na memória as tradições importantes da comunidade. Nem todas as histórias no repertório dele/dela estarão relacionadas a mitos (algumas são puramente itens de entretenimento relacionadas as histórias folclóricas internacionais), mas as que tendem a pertencer ao gênero chamado _Fiannaiocht_ (Gaélico Escocês _Fiannaigheachd_), que reconta os feitos dos _fianna_, grupos autônomos de guerreiros mercenários que vivem em lugares selvagens e se sustentam a partir da caça e da coleta, e que, por causa de sua posição limiar na fronteira entre natureza e cultura, facilitam o movimento através dessa fronteira. Um poder desse tipo é particularmente relevante para os agricultores e outros que vivem da Terra, então a invocação dos Fianna durante o tempo em que a Terra está dormente e um novo ciclo agrícola está sendo preparado é fácil de entender. Os contos estão estruturados em torno da história de vida do herói Fionn Mac Cumhaill, mas há muitos outros personagens secundários cuja importância varia de uma comunidade para outra, e em muitas histórias o próprio Fionn não aparece. 

Outro tipo de história (às vezes explicitamente relacionado ao _Fiannaiocht_, às vezes não) que desempenha um papel mitológico na tradição exibe um padrão similar aos romances da “Busca ao Graal” da Idade Média: um herói (frequentemente o filho mais novo ou um desvantajado similarmente ou um personagem pouco promissor) empreende uma busca de cura na qual ele é ajudado por uma variedade de animais ou companhias mágicas, e na qual a cura tem lugar através do despertar ou re-potencialização de uma figura feminina. Tal jornada para o coração doador de vida da Terra é auto-explicativa no contexto do ritual sazonal. Esta história-padrão é pan-céltica (e geralmente sobrevive em áreas ex-célticas também), mas é particularmente importante nas comunidades britônicas, especialmente na Bretanha. 

Outras histórias recontam os feitos dos heróis locais ou santos, que são com frequência reflexos transparentes de divindades pré-cristãs e padrões míticos. E no mundo gaélico Santa Brígida (Irlandês _Brid_, Gaélico Escocês _Brighid_) reteve todas as características da deusa pré-cristã cujo nome ela carrega, e muitas das histórias sobre ela são diretamente relacionadas ao mito e rito sazonal. Na Bretanha _santez Nonn_ desempenhou um papel similar. 

Por Alexei Kondratiev Copyright © 2010 Todos os Direitos Reservados.

Retirado de: http://www.celtic-nation.org/Lorekeeper_3-5a.htm
Tradução: Renata Gueiros
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